terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Em Malacacheta, Justiça nega liberdade a acusados de chacina

Vista parcial de Malacacheta
Crime macabro completa 22 anos em fevereiro. Seis criminosos executaram a tiros sete pessoas da família Cordeiro Andrade por rivalidade e disputa de terras.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou pedido de liberdade de Aldécio Nunes Leite, acusado de ser o mandante da Chacina de Malacacheta, que completa 22 anos em 15 de fevereiro.

Além de concessão de indulto, o habeas corpus impetrado no STJ pedia a extinção da punibilidade, que também foi indeferida. De acordo com a denúncia, seis criminosos executaram a tiros sete pessoas da família Cordeiro Andrade, por conta de um desentendimento com parentes desse mandante. O crime aconteceu na Fazenda Canadá, em Malacacheta, região do Vale do Jequitinhonha na confluência com o Mucuri, no nordeste de Minas. A motivação por trás da rivalidade seria uma briga por terras.
Dia do crimeA macabra história ocorreu em 15 de fevereiro de 1990, mas teve início alguns meses antes, em novembro de 1989. Um homem de cada família discutiu no trânsito da cidade de Malacacheta. Devido à briga, a família de Aldécio Nunes Leite contratou o pistoleiro Alvino Alves Pereira para executar um integrante do clã dos Cordeiro, mas o homicida foi morto pela família rival antes de apertar o gatilho.
Ao saber disso, Hamilton Leite, amigo do pistoleiro, jurou vingança. Seis homens, dentre eles Ofenir Pinheiro Machado e Hamilton Leite, trajando, cinco deles, coletes pretos da Polícia Civil e se identificando como policiais de Belo Horizonte, disseram que estavam apurando a morte do pistoleiro e abordaram José Augusto de Andrade.
O grupo levou a vítima até a casa de um parente, onde se encontravam a empregada da família e outros sete da família Cordeiro. Assim, foi dado início ao ritual macabro, com a execução das vítimas, de forma cruel em diversos compartimentos do imóvel e até no quintal.
Apesar das sete mortes, três pessoas conseguiram fugir e relataram a matança ao Promotor de Justiça e a policiais.

Depois dos tiros, os seis acusados fugiram, mas foram detidos. Os julgamentos aconteceram no decorrer da década de 90 e anos 2000. Cinco réus foram condenados e apenas um absolvido.


Por vingança, Nelson Jardim teria matado Toninho Leite, em abril de 1990, acusado de mandante da Chacina. Por este crime, Nelson foi condenado e pegou 12 anos de prisão.
Fábio Elias dos Santos, no dia da sua condenação a 45 anos de prisão.O último a ser condenado foi Fábio Elias dos Santos, em 28.03.2008, que pegou 45 anos de prisão em regime fechado. Ele foi acusado de participar da Chacina de Malacacheta. Segundo a denúncia, Fábio e outros cinco homens teriam executado sete pessoas de uma família Cordeiro.
Comentário do Blog:A Chacina de Malacacheta levou o Poder Judiciário de Minas a dar um basta na matança da região de Malacacheta, Capelinha e Água Boa, que acontecia há mais de 20 anos. Quase todos os julgamentos foram transferidos de Malacacheta para Teófilo Otoni ou Belo Horizonte. Os principais mandantes de crime cometidos foram julgados, condenados e presos.

Os Leite são acusados de ter assassinado 48 pessos na região. Há informações de um cemitério clandestino na Fazenda dos Leite, próximo do povoado do Bonfim, em Água Boa. Segundo comentários que correm "à boca pequena"na região de Capelinha, Água Boa e Malacacheta, na década de 80, os Leite mataram muita gente, que seria enterrada em um lugar que não é cemitério.

O terror imposto por pistoleiros contratados pelos Leite criou um clima de medo. Algumas pessoas de famílias com vítimas guardam um segredo em relação ao seu passado com receio de ainda serem perseguidas, apesar de muitos do clã dos Leite estarem presos.

Alguns aliados e amigos da família Leite acusam membros dos Cordeiro Andrade de serem responsáveis por muitos crimes.

Nenhum comentário: